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Tout Seul

tout seul
Tout Seul (fox chanson), chanté par Yvonne Daumerie Ramos

Estou começando a montar o setup que me permitirá fazer a captura dessa gravação de Yvonne Daumerie. Já fiz várias conversões do analógico para o digital, mas sempre a partir de long-plays. Esta será a primeira vez que irei transpor um disco de 78 rotações, o que irá requerer uma agulha especial e muito trabalho.

A letra de Yvonne é bem fácil de compreender, porém boa parte da última palavra desapareceu juntamente com um pedaço do selo. Há bons motivos para acreditar que a palavra em questão é “Ramos”, e essa informação, caso esteja correta, poderá ajudar a estabelecer a data da gravação.

Pretendo reproduzir esse disco apenas uma vez, justamente quando chegar o momento de fazer a captura do áudio; até lá, só me resta especular sobre seu conteúdo. Encontrei uma referência a um foxtrot de mesmo nome publicado em 1929, primeiramente em Paris e depois em Nova Iorque. Assim, é possível que a canção seja a mesma que foi cantada neste filme de 1934. Se for essa a música, eu apostaria que a versão de Yvonne Daumerie, ainda que tenha sido gravada na mesma época (no início dos anos 1930), é melhor e mais moderna. Veremos.

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O caso da BBC

Nos últimos dias a BBC (British Broadcasting Corporation) foi flagrada num malfeito de proporções épicas. Em duas ocasiões diferentes (em 2022 e em 2024, às vésperas das eleições americanas), a BBC editou um vídeo para distorcer deliberadamente um discurso de Donald Trump, fazendo-o dizer algo que ele não disse.

Pouca gente gosta de Donald Trump, sobretudo fora dos Estados Unidos, mas não é disso que se trata. O que está em questão não é a reputação deste ou daquele político, mas a transformação de um veículo de comunicação supostamente imparcial numa agência de propaganda.

Os dois vídeos abaixo são as principais fontes (com acesso gratuito) da denúncia veiculada pelo jornal britânico The Telegraph. Depois voltarei para dizer uma ou duas palavras sobre este escândalo.

How an edited Trump speech exposed BBC bias (2025.11.03)

BBC Newsnight also doctored Trump speech (2025.11.13)

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Dicionários Documentos Domínio público Linguagem

Diccionario da lingua portugueza

vulgo ‘Moraes’

Moraes
Diccionario da lingua portugueza (1789)

O Dicionário Moraes (ou Morais) dispensa apresentações, mas para aqueles que não conhecem seu autor, Antonio de Moraes Silva (ou Antônio de Morais Silva, ou ainda António de Morais Silva), deixo aqui o atalho para este ótimo artigo.

Eu tenho e consulto há muitos anos uma cópia física da edição comemorativa de 1922 na qual publicou-se o fac-símile da 2ª edição do dicionário, de 1813.

Os atalhos abaixo dão acesso às três primeiras edições da obra. Há também um atalho para a sétima edição, publicada em 1877-1878. A 3ª edição, de 1823, foi a última publicada pelo próprio Moraes.

1ª edição (1789)

2ª edição (1813) 1º volume | 2º volume

3ª edição (1823)

7ª edição (1877-78)

Para quem quiser divertir-se além da conta, aqui estão os 10 volumes da obra enciclopédica de Raphael Bluteau (1638-1734) que Moraes usou como fonte para a elaboração de seu dicionário: Vocabulário Português e Latino.

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Documentos Esporte Filosofia Futebol

Hoje tem futebol?

Então tire as crianças da frente da TV

Camus

“Car, après beaucoup d’années ou le monde m’a offert beaucoup de spectacles, ce que finalement je sais sur la morale et les obligations des hommes, c’est au sport que je le dois, c’est au R.U.A. [Racing Universitaire d’Alger] que je l’ai appris.”

Albert Camus¹

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O texto acima foi publicado pela primeira vez em 15 de abril de 1953, num boletim do time argelino no qual um jovem Albert Camus jogou como goleiro; nele, o escritor revela que, no fim das contas, deve ao esporte (ao futebol) tudo o que aprendeu sobre a moral e as obrigações dos homens

Não duvido que muitos jogadores de futebol (não todos) continuem aprendendo, em seus ambientes de trabalho, as competências mencionadas por Camus. Mas o mundo mudou muito de 1953 para cá, e com ele o futebol, que se tornou um negócio bilionário envolvendo não apenas bilheterias, mensalidades de associados e venda de jogadores, mas também patrocínios, direitos de televisão e apostas, muitas apostas.

Com tanto dinheiro envolvido, não é de admirar que o futebol atual tenha se tornado competitivo ao extremo, bem mais parecido com o atletismo do que com o balé, e que a corrupção tenha se tornado um fenômeno generalizado.

Voltarei a esse tema depois, pois ele dá margem a desdobramentos interessantes. Por ora, tenho apenas uma pergunta a fazer.

O que diria Albert Camus (que também era dramaturgo) sobre as (péssimas) atuações dos jogadores de hoje, que por qualquer motivo (ou até sem motivo) levam as mãos ao rosto e caem no gramado contorcendo-se em fingidas dores? E se alguém lhe dissesse que um espetáculo como esse não é apropriado para menores de idade — o que será que ele responderia?

__________

1. «Ce que finalement je sais sur la morale…». Le Footchiste, 2013.05.14. URL: <https://www.footichiste.com/football-albert-camus/>. Acesso em 2025.10.30.

2. Esse texto foi republicado numa revista francesa em 1957, ano em que Camus ganhou o Nobel de Literatura. The morality of football and the philosophy of Albert Camus, IN Scottish Sport History. URL: <https://www.scottishsporthistory.com/sports-history-news-and-blog/the-morality-of-football-and-the-philosophy-of-albert-camus>. Acesso em 2025.10.30.

Fonte: Andy Mitchell

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Arte Documentos Pintura

Correa Camargo

A artista plástica Rosa Maria Correa Camargo, conhecida entre seus amigos como Chou, era paulistana, mas radicada em Niterói. Fui seu vizinho quando morei na Lara Vilela e cheguei a produzir para ela uma página na Internet. Acabamos perdendo contato e eu só soube de sua morte muito tempo depois. Hoje guardo como um tesouro o belo livro de fotografias que ela me deu de presente; há nele um incrível retrato de Sibelius que pretendo postar aqui um dia.

Como há pouquíssima informação sobre essa artista na Rede, resolvi digitalizar um velho catálogo de uma exposição sua. Correa Camargo assinava-se desse modo porque, segundo ela, o mercado de arte tende a desvalorizar o trabalho das mulheres.

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Os nomes de Yvonne Daumerie

Yvonne Daumerie
Yvonne Daumerie (fevereiro de 1927)

Yvonne Daumerie (bailarina, coreógrafa, professora de dança, canto e violão, compositora, cantora e violonista) é conhecida pelo seu nome artístico, mas seu ano de nascimento e seus nomes civis são uma incógnita até mesmo para seus estudiosos. O objetivo deste artigo é estabelecer documentalmente esses dados, listar seus nomes artísticos e civis e propor uma hipótese sobre as razões que a levaram a adotar o sobrenome francês da avó materna como seu nome de palco.

Francisco Fuchs – Os nomes de Yvonne Daumerie (PDF)

ALGUMAS FONTES PRIMÁRIAS SOBRE YVONNE DAUMERIE RAMOS:

A mesinha de Ivonne Daumerie

Um quarto de hora com Yvonne Daumerie

Alípio Ramos & Yvonne Daumerie Ramos

20 de dezembro de 1975

Tout Seul, chanté par Yvonne Daumerie

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3 Daumerie

O nomes de Julia, Jeanne e Yvonne em 1924.
A Cigarra, Ano XIII, nº 239, 1924.10.15, p. 36.

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Stendhal – Romans et nouvelles

Fundada em 1931 por Jacques Schiffrin, a Bibliothèque de la Pléiade é talvez a iniciativa editorial mais célebre em todo o mundo, tendo servido de modelo para várias outras coleções, entre elas a italiana Biblioteca della Pléiade e a americana Library of America.

Recentemente descobri que algum abnegado anônimo digitalizou, e com muita competência, vários desses volumes. Para que essas cópias sejam oferecidas de forma 100% legal, no entanto, não basta que seus autores estejam sob domínio público. As sucessivas reedições desses livros geralmente se fazem acompanhar por material inédito (como novas apresentações e notas do editores e, em alguns casos, novas traduções); assim, a rigor, apenas as edições mais antigas desses livros estão, de fato, sob domínio público.

Por isso, fiz uma espécie de curadoria desses volumes e incluirei, na pequenina porém valente Biblioteca do ponto cinza, apenas edições que respeitam os direitos de autor.

Os arquivos foram produzidos num formato muito otimizado, o DjVu (déjà vu), e além de possuírem marcadores, permitem busca textual. Se você usa Windows e seu leitor de PDF não lê arquivos DjVu, recomendo o SumatraPDF, um software excelente que eu mesmo traduzi para o Português do Brasil.

Esta será a única postagem referente à inclusão de livros dessa coleção francesa no ponto cinza. Os demais volumes serão adicionados, direta e silenciosamente, à Biblioteca.

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Entretiens avec Bergson

A pedido dos editores, este livro foi publicado em 1959, ano em que se comemorou o centenário de nascimento de Henri Bergson. Redigido a partir de anotações de Jacques Chevalier em seu diário, muitas delas realizadas de memória logo após suas conversas com o mestre e amigo, ele possui um valor documental (e filosófico) extraordinário; e ainda que tenha de ser considerado como um livro de Chevalier, e não do entrevistado, é possível dizer que essa distinção se esfuma tão logo se abrem as aspas e a voz de Bergson se faz ouvir.

Jacques Chevalier – Entretiens avec Bergson (PDF)

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Tratada a coices

Ao longo de minha pesquisa sobre Yvonne Daumerie deparei-me com várias coisas interessantes. O texto abaixo, por exemplo, escrito em 1926, é bastante curioso. Não tenho como avaliar seu mérito, pois não sei a que músicas (e piadas) seu autor se refere. Mas não é muito difícil transpor o debate para os dias de hoje, e seja qual for a posição do leitor a respeito do tema, a impressão que se tem é de que nada mudou ao longo de um século.

FONTE:

https://www.gov.br/fundaj/pt-br/composicao/dimeca/biblioteca/acervos/publicacoes-digitalizadas/revista-da-cidade-pdf/revista_da_cidade_1926_n013.pdf

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Alípio Ramos & Yvonne Daumerie Ramos

No PDF abaixo você poderá consultar os dois registros de casamento entre Alípio Ramos e Yvonne Daumerie. Entre eles, o registro de conciliação (de 1946) é a fonte primária mais importante (mas não a única) que me permitiu estabelecer documentalmente os dois nomes civis de Yvonne Daumerie.

Não achei adequado incluir esses documentos pessoais entre os apêndices de meu artigo Os nomes de Yvonne Daumerie, mas dada a importância histórica dos dois registros, não vejo nenhum problema em publicá-los à parte.

A rigor, eu poderia reproduzir aqui apenas o registro de 1946, mas por razões didáticas resolvi publicar também o de 1930, que, como demonstrei em meu artigo, é uma comédia de erros. Esse documento de 1930 ensina uma lição preciosa: não se pode tomar nenhum testemunho, e nem mesmo um documento oficial, pelo seu valor de face. Ele fornece, assim, matéria para a reflexão de historiadores, juristas, jornalistas e pesquisadores em geral.

O registro de 1946, por outro lado, é um manancial de informações corretas, e posso dizê-lo tranquilamente porque eu o confrontei com outras fontes primárias. A única informação incorreta nesse registro é a nacionalidade do pai de Yvonne, Eduardo Stumpe, que era alemão, e não baiano. Como sugeri em meu artigo, esse “erro” pode ter sido intencional. A Segunda Guerra Mundial, traumática para os imigrantes dos países do Eixo, havia terminado há apenas um ano. Caso ocorresse um novo conflito, seria preferível para Yvonne, cuja mãe era baiana, apresentar às forças de repressão um pai igualmente baiano.

Registros de casamento entre Alípio Ramos e Yvonne Daumerie (PDF)

FONTES:

Registro de casamento de 1930:

<https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3Q9M-CSVR-VQN6-4?view=index>. Acesso em 2025.08.26.

Registro de casamento de 1946 (reconciliação):

<https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3Q9M-CSDL-RS6Z-D?view=index>. Acesso em 2025.08.26.