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Tout Seul

tout seul
Tout Seul (fox chanson), chanté par Yvonne Daumerie Ramos

Estou começando a montar o setup que me permitirá fazer a captura dessa gravação de Yvonne Daumerie. Já fiz várias conversões do analógico para o digital, mas sempre a partir de long-plays. Esta será a primeira vez que irei transpor um disco de 78 rotações, o que irá requerer uma agulha especial e muito trabalho.

A letra de Yvonne é bem fácil de compreender, porém boa parte da última palavra desapareceu juntamente com um pedaço do selo. Há bons motivos para acreditar que a palavra em questão é “Ramos”, e essa informação, caso esteja correta, poderá ajudar a estabelecer a data da gravação.

Pretendo reproduzir esse disco apenas uma vez, justamente quando chegar o momento de fazer a captura do áudio; até lá, só me resta especular sobre seu conteúdo. Encontrei uma referência a um foxtrot de mesmo nome publicado em 1929, primeiramente em Paris e depois em Nova Iorque. Assim, é possível que a canção seja a mesma que foi cantada neste filme de 1934. Se for essa a música, eu apostaria que a versão de Yvonne Daumerie, ainda que tenha sido gravada na mesma época (no início dos anos 1930), é melhor e mais moderna. Veremos.

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Correa Camargo

A artista plástica Rosa Maria Correa Camargo, conhecida entre seus amigos como Chou, era paulistana, mas radicada em Niterói. Fui seu vizinho quando morei na Lara Vilela e cheguei a produzir para ela uma página na Internet. Acabamos perdendo contato e eu só soube de sua morte muito tempo depois. Hoje guardo como um tesouro o belo livro de fotografias que ela me deu de presente; há nele um incrível retrato de Sibelius que pretendo postar aqui um dia.

Como há pouquíssima informação sobre essa artista na Rede, resolvi digitalizar um velho catálogo de uma exposição sua. Correa Camargo assinava-se desse modo porque, segundo ela, o mercado de arte tende a desvalorizar o trabalho das mulheres.

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20 de dezembro de 1975

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Revista Pop (1975). Crédito pela imagem: Pedro Hollanda.

Foi publicada hoje, na revista portuguesa Athena, a crônica 20 de dezembro de 1975. Dedicada à minha madrinha (que nesse dia me levou ao show de Rick Wakeman), ela encerra uma trilogia recente consagrada às três pessoas que me educaram.

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Os nomes de Yvonne Daumerie

Yvonne Daumerie
Yvonne Daumerie (fevereiro de 1927)

Yvonne Daumerie (bailarina, coreógrafa, professora de dança, canto e violão, compositora, cantora e violonista) é conhecida pelo seu nome artístico, mas seu ano de nascimento e seus nomes civis são uma incógnita até mesmo para seus estudiosos. O objetivo deste artigo é estabelecer documentalmente esses dados, listar seus nomes artísticos e civis e propor uma hipótese sobre as razões que a levaram a adotar o sobrenome francês da avó materna como seu nome de palco.

Francisco Fuchs – Os nomes de Yvonne Daumerie (PDF)

ALGUMAS FONTES PRIMÁRIAS SOBRE YVONNE DAUMERIE RAMOS:

A mesinha de Ivonne Daumerie

Um quarto de hora com Yvonne Daumerie

Alípio Ramos & Yvonne Daumerie Ramos

20 de dezembro de 1975

Tout Seul, chanté par Yvonne Daumerie

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3 Daumerie

O nomes de Julia, Jeanne e Yvonne em 1924.
A Cigarra, Ano XIII, nº 239, 1924.10.15, p. 36.

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Tratada a coices

Ao longo de minha pesquisa sobre Yvonne Daumerie deparei-me com várias coisas interessantes. O texto abaixo, por exemplo, escrito em 1926, é bastante curioso. Não tenho como avaliar seu mérito, pois não sei a que músicas (e piadas) seu autor se refere. Mas não é muito difícil transpor o debate para os dias de hoje, e seja qual for a posição do leitor a respeito do tema, a impressão que se tem é de que nada mudou ao longo de um século.

FONTE:

https://www.gov.br/fundaj/pt-br/composicao/dimeca/biblioteca/acervos/publicacoes-digitalizadas/revista-da-cidade-pdf/revista_da_cidade_1926_n013.pdf

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Alípio Ramos & Yvonne Daumerie Ramos

No PDF abaixo você poderá consultar os dois registros de casamento entre Alípio Ramos e Yvonne Daumerie. Entre eles, o registro de conciliação (de 1946) é a fonte primária mais importante (mas não a única) que me permitiu estabelecer documentalmente os dois nomes civis de Yvonne Daumerie.

Não achei adequado incluir esses documentos pessoais entre os apêndices de meu artigo Os nomes de Yvonne Daumerie, mas dada a importância histórica dos dois registros, não vejo nenhum problema em publicá-los à parte.

A rigor, eu poderia reproduzir aqui apenas o registro de 1946, mas por razões didáticas resolvi publicar também o de 1930, que, como demonstrei em meu artigo, é uma comédia de erros. Esse documento de 1930 ensina uma lição preciosa: não se pode tomar nenhum testemunho, e nem mesmo um documento oficial, pelo seu valor de face. Ele fornece, assim, matéria para a reflexão de historiadores, juristas, jornalistas e pesquisadores em geral.

O registro de 1946, por outro lado, é um manancial de informações corretas, e posso dizê-lo tranquilamente porque eu o confrontei com outras fontes primárias. A única informação incorreta nesse registro é a nacionalidade do pai de Yvonne, Eduardo Stumpe, que era alemão, e não baiano. Como sugeri em meu artigo, esse “erro” pode ter sido intencional. A Segunda Guerra Mundial, traumática para os imigrantes dos países do Eixo, havia terminado há apenas um ano. Caso ocorresse um novo conflito, seria preferível para Yvonne, cuja mãe era baiana, apresentar às forças de repressão um pai igualmente baiano.

Registros de casamento entre Alípio Ramos e Yvonne Daumerie (PDF)

FONTES:

Registro de casamento de 1930:

<https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3Q9M-CSVR-VQN6-4?view=index>. Acesso em 2025.08.26.

Registro de casamento de 1946 (reconciliação):

<https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3Q9M-CSDL-RS6Z-D?view=index>. Acesso em 2025.08.26.

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Um quarto de hora com Yvonne Daumerie

Entrevista publicada em 25 de julho de 1928.

FONTE:

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=030015_04&pasta=ano%20192&pagfis=67314

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A mesinha de Ivonne Daumerie

FONTE:

A Manhã, 1928.07.22. Edição 0800, p. 2:

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=116408&pagfis=3530

A Manhã, 1928.07.22. Edição 0800, p. 9:

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=116408&pagfis=3539

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Dois encontros com Hermeto Pascoal

Morreu ontem, aos 89 anos, bem no dia do lançamento deste website, o extraordinário Hermeto Pascoal. Jamais havia contado publicamente a história que irei contar a seguir, porém hoje percebi que ela também pertence a Hermeto, e que contá-la é tudo que posso fazer para honrar sua memória.

Ainda nos anos 90 fui de improviso a um show no Canecão a convite de Débora, uma amiga da UFRJ. Lembro-me de ter comprado sapatos novos minutos antes do espetáculo, pois os meus estavam muito velhos e eu não queria passar vergonha em minha primeira (e última) ida ao célebre Canecão.

Hermeto Pascoal foi uma das atrações e minha amiga, que parecia conhecer todos os grandes instrumentistas da época, levou-me ao camarim. Eu não esperava por aquilo e fiquei a um canto, na minha. Num dado momento, Hermeto levantou-se de onde estava, veio até mim e deu-me um abraço.

Muitos anos depois, em 25 de maio de 2013 (sei a data precisa porque tenho uma foto daquele dia), minha mulher e eu fomos ao show de Hermeto Pascoal e Aline Morena no Espaço Furnas Cultural em Botafogo. Estávamos sentados bem no meio da primeira fila, e houve um problema no som. Hermeto ficou zangado, mas não quis atrasar a apresentação e veio tocar fora do palco, junto à platéia, ou seja, exatamente onde nós estávamos sentados. Durante 30 minutos ele fez o show bem à nossa frente, ao alcance das nossas mãos; um tropeço e ele cairia no nosso colo.

Não é todo dia que você vê um bruxo como Hermeto fazendo música praticamente no seu colo, mas é claro que a história no Canecão continua sendo muito mais significativa para mim. Resolvi contá-la por um motivo muito simples: pouco importa, para o público, que eu tenha recebido um abraço de Hermeto; mas que Hermeto tenha se dado ao trabalho de levantar-se para abraçar um completo estranho, isso sim, é de interesse público e diz muito sobre ele.