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Por que evito falar sobre a pequena política

Porquinhos se abraçando na Natureza

Como tantas vezes acontece, a resposta está contida na própria pergunta: evito falar sobre a pequena política porque ela é pequena. Não é que eu, num delírio narcísico, ache-me grande o bastante para ostentar essa “indiferença olímpica” da qual um gigante como Goethe chegou a ser acusado.¹ Minhas razões são bem diferentes. Em primeiro lugar, esse não é o meu trabalho. Não sou jornalista, e muito menos jornalista político; embora procure manter-me informado, pouco (ou nada) teria a acrescentar àquilo que já virou notícia e comentário. Em segundo lugar, este não é o lugar apropriado. Quem quer falar sobre política vai às redes sociais, que são as praças públicas digitais de nossa época.

Nada disso significa, porém, que eu seja um ἰδιώτης; significa apenas que privilegio a grande política (em detrimento da pequena). Quando fiz graduação em História, nada me fascinava mais do que a história das mentalidades; assim, não surpreende que meu mais recente trabalho filosófico (sobre a produção de si e do outro) situe-se na interseção entre ontologia, subjetividade e vida social, porém tão longe quanto possível da pequena política.

Há ocasiões, porém, em que me desvio do meu foco e acabo dedicando um esforço a uma atualidade jornalística. Depois explicarei o porquê dessas exceções. Por ora, deixo aqui um atalho para um desses artigos de ocasião, “A BBC errou?“, que acaba de ser publicado na Revista Athena.

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1. CARPEAUX, Otto Maria. História da literatura ocidental. Brasília, Edições do Senado Federal, Volume 3, p. 1712.

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Informática Internet Linux Privacidade Redes sociais Sistema operacional

A era do Linux

Entre 55% e 70% dos usuários de PCs usam suas máquinas apenas para tarefas básicas como acessar e produzir documentos, visualizar e editar imagens, ler e enviar emails, navegar na Web, fazer compras e usar redes sociais. Num universo de 1,4 bilhão de PCs em atividade, o número desses usuários pode variar entre 700 milhões e 980 milhões de pessoas.¹

Você sabia que todas essas tarefas simples (e muitas outras, como administrar e produzir conteúdo para um site como este) podem ser feitas normalmente num Sistema Operacional (SO) Linux? Eu venho experimentando uma versão recente desse SO há algum tempo, e não vejo nenhuma razão que impeça qualquer pessoa de usá-lo em seu laptop ou em seu PC de mesa (desktop). Como alguém que rodou exclusivamente o MS-DOS durante cerca de dois anos, é claro que eu me meti a besta e instalei o Debian 12, que não é dos mais difíceis mas também não é feito para principiantes. No entanto, como pretendo instalar o Linux também no PC de minha esposa, e como será muito mais fácil administrar dois sistemas idênticos, já estou de olho na próxima edição do Linux Mint.

Há muito tempo o Linux domina o mercado para servidores. Esta página está hospedada num servidor Linux; e se por acaso você está usando um celular Android para lê-la, você está usando um sistema operacional baseado no Linux. Para que seu uso se tornasse popular também em computadores de mesa, era preciso que o SO se tornasse mais amigável, mas isso, felizmente, já aconteceu. Leia a seguir o resumo que o ChatGPT apresentou sobre essa questão:

A grande maioria dos usuários domésticos de PC (acima de 60%) poderia adotar o Linux sem perda de produtividade ou conforto, desde que recebessem: (1) um sistema já configurado (ex.: Ubuntu, Mint, Zorin, Fedora); (2) um navegador e suíte de escritório prontos; (3) suporte básico a drivers e impressoras. Em outras palavras: o obstáculo à migração é mais cultural e psicológico do que técnico. Para o uso comum, o Linux já entrega tudo — e com menos riscos de vírus, sem custos de licença e sem coleta intrusiva de dados.

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Mas o que fazer com aqueles programas dos quais é impossível abrir mão (note que eu não estou me referindo ao Microsoft Office…) e que não rodam em Linux? Há varias soluções possíveis, e irei falar sobre elas na próxima postagem.

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1. Os números são estimativas do ChatGPT.

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Anarcismo Fórum de discussão Informática Internet Redes sociais

O que é um fórum de discussão?

Para que a postagem anterior não ficasse longa demais, deixei de falar sobre a importância dos fóruns de discussão. Geralmente gratuitos, eles estão, a meu ver, entre as melhores ferramentas de aprendizado disponíveis na Internet.

Embora também sejam, ao menos num sentido amplo, “redes sociais”, os fóruns são totalmente distintos delas. Um fórum costuma dedicar-se a uma área de conhecimento ou a um tema específico; exceto em eventuais “zonas livres” previamente determinadas, todas as mensagens de um fórum devem estar relacionadas aos seus respectivos tópicos. Os tópicos, por sua vez, não podem ser abertos em qualquer lugar, mas apenas nas seções apropriadas (categorias e subcategorias). Cada fórum institui seu próprio conjunto de regras, cuja aplicação estará a cargo de membros da administração que ostentam o título de moderadores. Estes possuem o poder de mover, editar e apagar mensagens ou tópicos inteiros, e até de banir usuários; um fórum, portanto, é bem menos tolerante com exibições de narcisismo do que uma rede social. É um ambiente muito mais sério, de reflexão e aprendizado, embora evidentemente não exclua manifestações de humor e a formação de laços afetivos.

Existem vários fóruns em Português, mas sua língua franca é o Inglês; quem consegue se comunicar nessa língua tem à sua disposição uma gigantesca quantidade de fóruns sobre todos os assuntos. A maioria deles usa exclusivamente a língua inglesa porque isso simplifica a administração, diminui a ocorrência de desentendimentos e permite que pessoas de todas as partes do mundo conversem e ajudem umas às outras. Alguns fóruns (como o Hydrogenaudio) permitem postagens em outras línguas desde que acompanhadas por uma tradução para o Inglês; outros (como o fórum do Linux Mint) possuem seções dedicadas a outras línguas.

Last but not least, participar de um fórum estrangeiro sobre um tema que consideramos apaixonante é também uma ótima oportunidade para treinar o Inglês (ou a língua do fórum em questão). Erros de ortografia e gramática costumam ser bem tolerados, e a única coisa que realmente importa é não entrar nesses lugares para tirar onda ou jogar conversa fora. Mesmo os iniciantes mais despreparados, desde que demonstrem vontade de aprender e um interesse genuíno nos problemas apresentados, serão (ao contrário de narcisistas e outros espécimes tóxicos) valorizados e respeitados.

Encerro esta postagem com a indicação de três fóruns tradicionais para quem gosta de informática ou precisa de ajuda para resolver um problema nessa área:

https://forum.hardware.com.br (em Português)

https://www.bleepingcomputer.com/forums

https://forums.mydigitallife.net

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Informática Redes sociais Sobre

Por que não uso redes sociais?

Antigos ICHF (à esquerda) e Instituto de Matemática da UFF (à direita)

Não tenho Facebook. Cheguei a usar o Instagram na época em que ele servia para postar fotos e acompanhar as postagens de algumas pessoas, mas ele se tornou um shopping e eu não voltarei a usá-lo. Abri uma conta no antigo Twitter em 2011, mas não a uso para nada. Em breve deixarei de usar até o WhatsApp, que estou substituindo pelo Signal. Outras redes? Nem pensar. A rigor, nem mesmo telefone eu uso, e só tenho um número porque sou forçado a isso; mas o modo avião é meu amigo.

Como explicar esse aparente isolamento? Digo aparente porque tenho um canal no YouTube cujo tamanho diminuto ainda me permite responder todas as mensagens que recebo; participo de alguns fóruns que tratam de temas que me interessam; e como qualquer mortal com acesso à Rede, uso o email para comunicar-me. Aliás, quem visita este site pode mandar-me um email a qualquer hora.

Não há, portanto, isolamento algum. Não posso dizer que vi a Internet nascer, mas eu estava lá quando ela se popularizou no Brasil. Meus primeiros acessos, realizados no prompt de comando de um sistema UNIX, se deram em 1997 no laboratório de informática da UFF. Detesto celulares (aquela coisa na qual você pode arruinar sua vida encostando um dedo no lugar errado) e nunca tive dinheiro para desperdiçar em laptops, mas uso PCs desde 1993 e finalmente aprendi a montá-los em 2010. E é claro que no começo do século eu tive redes sociais (orkut, alguém?) e conversei no MSN e em salas de bate-papo; mas hoje essas coisas pertencem, juntamente com as fitas VHS, a um passado distante.

Não sei até que ponto as pessoas sabem disso nos dias de hoje, mas quando a Web foi inventada a palavra-chave era hipertexto. Ao produzir links umas para as outras, as páginas se entrelaçavam e criavam uma teia (web) que podia ser trilhada em qualquer direção por qualquer navegador. Nem todas as pessoas podiam ou queriam rodar seu próprio servidor, mas isso nunca foi um problema; o ponto era que todos, ao menos em tese, podiam produzir sua própria página pessoal e contratar um servidor para hospedá-la. Rapidamente surgiram serviços que hospedavam páginas “de graça” em troca da exibição de anúncios. Quem quiser ter uma idéia do que era a web nessa época (e de como o mau gosto predominava na maioria das páginas) pode dar uma olhada nesta galeria do Geocities.

Para resumir num piscar de olhos uma longa história, esse modelo aberto e descentralizado da web foi quase que completamente substituído pelo modelo altamente centralizado das redes sociais. Quem antes hospedava sua página no servidor de sua preferência tem agora uma “conta” numa plataforma gigante sobre a qual não tem controle algum; quem antes compartilhava apenas o que queria, e nada mais, tem agora suas informações pessoais ordenhadas por algoritmos cada vez mais sofisticados. É bem verdade que a interação com outras pessoas foi simplificada ao máximo, mas esse benefício foi obtido às custas de várias renúncias.

Não é apenas para preservar minha privacidade que eu não uso redes sociais; essa nem mesmo é a razão principal. Eu poderia, se quisesse, escrever uma postagem duas vezes maior do que esta apenas falando sobre todas as razões pelas quais não uso redes sociais, mas prefiro resumir tudo num único ponto: eu não as uso para poder usufruir do silêncio que essa decisão me proporciona. Quem não ama (ou ao menos suporta) o silêncio está condenado a viver em meio ao ruído.