Pensando bem, não é espantoso que um regime totalitário use força militar para executar milhares de civis que estão a protestar nas ruas. Afinal, é exatamente isso que se espera de um regime totalitário: que ele exerça um controle absoluto sobre todos os aspectos da vida de seus súditos e estabeleça sua própria soberania como o valor supremo.
O que espanta é o silêncio daqueles que nunca tiveram problemas para se manifestar a favor de suas causas. Ao contrário do que defendem alguns, não há, em casos como esse, hipocrisia. Não existe indignação seletiva. Não existe “duplo padrão”.
Se os chamados “ativistas” não se comovem com a execução sumária de milhares de manifestantes iranianos, é porque eles jamais se comoveram verdadeiramente com o destino de alguém. Não é esse o problema deles. E não sou eu quem está a dizer isso: são as próprias atitudes (ou a falta de atitude) deles perante os massacres. Eles protestarão naqueles casos que forem favoráveis ao seu projeto de poder, mas permanecerão indiferentes a todo o resto.
Não existe, repito, “duplo padrão”. Ao contrário, tudo o que eles fazem deriva de um único pensamento dominante: fazer o que for necessário para fazer avançar seu projeto de poder.
Diante de tão eloquente indiferença, só me resta coçar a cabeça e perguntar: o que aconteceria se eles finalmente alcançassem seu objetivo? O que fariam quando conseguissem consolidar seu poder? Seria algo substancialmente diferente daquilo que já ocorreu tantas vezes na história recente?




