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Distopia Informática Inteligência artificial Internet Privacidade Windows

O fim do Windows

No próximo dia 14 de outubro, que é também o dia internacional do lixo eletrônico, a Microsoft tornará obsoletos até 55% dos PCs atualmente em funcionamento, totalizando um número que pode chegar a 800 milhões de computadores

Isso vai acontecer porque, após essa data, o Windows 10 será abandonado pela Microsoft e o usuário caseiro deixará de receber atualizações de segurança. Por sorte, essas correções continuarão sendo fornecidas às corporações, e tudo indica que o usuário caseiro poderá aceder a elas durante mais um ano.

Para receber as atualizações de segurança do Windows 10, no entanto, o usuário comum terá de vincular sua instalação a uma conta na Microsoft. O uso de uma conta online sempre foi opcional, e a maioria dos sistemas eram instalados por meio de uma conta local. Isso mudou em pouquíssimo tempo. Também o Windows 11 está tornando obrigatório o uso de uma conta na Microsoft.

Para mim, que tenho mais de 30 anos de experiência com computadores de mesa, o Windows 11 é um pesadelo distópico. Não quero usar um sistema operacional que tira fotos da minha tela a cada 5 segundos para treinar sua Inteligência Artificial. Também não quero ser forçado a vincular minha instalação ao uso de uma conta na Microsoft. Por fim, não pretendo jogar no lixo meus dois computadores velhos (que ainda funcionam perfeitamente) apenas porque a Microsoft decidiu que eles não são bons o bastante para rodar o Windows 11.

Mesmo que a vida do Windows 10 seja estendida por um ano (ou mais), isso não passa de uma solução temporária. Não pretendo instalar o Windows 11. Não quero gastar recursos de minha máquina e aumentar minha conta de energia para ajudar a treinar a IA da Microsoft. E, acima de tudo, não quero ter de me preocupar em desabilitar (sempre com o receio de que ele volte a ser habilitado em silêncio) um keylogger instalado no coração do sistema. O tempo e a energia gastos nesse jogo de gato e rato podem ser empregados em tarefas mais produtivas.

É o fim do Windows, mas infelizmente eu uso alguns softwares especializados que só rodam nesse sistema operacional.

E agora? Em breve irei compartilhar algumas possíveis soluções para esse problema.

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1. Os números são estimativas do ChatGPT.

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Anarcismo Fórum de discussão Informática Internet Redes sociais

O que é um fórum de discussão?

Para que a postagem anterior não ficasse longa demais, deixei de falar sobre a importância dos fóruns de discussão. Geralmente gratuitos, eles estão, a meu ver, entre as melhores ferramentas de aprendizado disponíveis na Internet.

Embora também sejam, ao menos num sentido amplo, “redes sociais”, os fóruns são totalmente distintos delas. Um fórum costuma dedicar-se a uma área de conhecimento ou a um tema específico; exceto em eventuais “zonas livres” previamente determinadas, todas as mensagens de um fórum devem estar relacionadas aos seus respectivos tópicos. Os tópicos, por sua vez, não podem ser abertos em qualquer lugar, mas apenas nas seções apropriadas (categorias e subcategorias). Cada fórum institui seu próprio conjunto de regras, cuja aplicação estará a cargo de membros da administração que ostentam o título de moderadores. Estes possuem o poder de mover, editar e apagar mensagens ou tópicos inteiros, e até de banir usuários; um fórum, portanto, é bem menos tolerante com exibições de narcisismo do que uma rede social. É um ambiente muito mais sério, de reflexão e aprendizado, embora evidentemente não exclua manifestações de humor e a formação de laços afetivos.

Existem vários fóruns em Português, mas sua língua franca é o Inglês; quem consegue se comunicar nessa língua tem à sua disposição uma gigantesca quantidade de fóruns sobre todos os assuntos. A maioria deles usa exclusivamente a língua inglesa porque isso simplifica a administração, diminui a ocorrência de desentendimentos e permite que pessoas de todas as partes do mundo conversem e ajudem umas às outras. Alguns fóruns (como o Hydrogenaudio) permitem postagens em outras línguas desde que acompanhadas por uma tradução para o Inglês; outros (como o fórum do Linux Mint) possuem seções dedicadas a outras línguas.

Last but not least, participar de um fórum estrangeiro sobre um tema que consideramos apaixonante é também uma ótima oportunidade para treinar o Inglês (ou a língua do fórum em questão). Erros de ortografia e gramática costumam ser bem tolerados, e a única coisa que realmente importa é não entrar nesses lugares para tirar onda ou jogar conversa fora. Mesmo os iniciantes mais despreparados, desde que demonstrem vontade de aprender e um interesse genuíno nos problemas apresentados, serão (ao contrário de narcisistas e outros espécimes tóxicos) valorizados e respeitados.

Encerro esta postagem com a indicação de três fóruns tradicionais para quem gosta de informática ou precisa de ajuda para resolver um problema nessa área:

https://forum.hardware.com.br (em Português)

https://www.bleepingcomputer.com/forums

https://forums.mydigitallife.net

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Informática Redes sociais Sobre

Por que não uso redes sociais?

Antigos ICHF (à esquerda) e Instituto de Matemática da UFF (à direita)

Não tenho Facebook. Cheguei a usar o Instagram na época em que ele servia para postar fotos e acompanhar as postagens de algumas pessoas, mas ele se tornou um shopping e eu não voltarei a usá-lo. Abri uma conta no antigo Twitter em 2011, mas não a uso para nada. Em breve deixarei de usar até o WhatsApp, que estou substituindo pelo Signal. Outras redes? Nem pensar. A rigor, nem mesmo telefone eu uso, e só tenho um número porque sou forçado a isso; mas o modo avião é meu amigo.

Como explicar esse aparente isolamento? Digo aparente porque tenho um canal no YouTube cujo tamanho diminuto ainda me permite responder todas as mensagens que recebo; participo de alguns fóruns que tratam de temas que me interessam; e como qualquer mortal com acesso à Rede, uso o email para comunicar-me. Aliás, quem visita este site pode mandar-me um email a qualquer hora.

Não há, portanto, isolamento algum. Não posso dizer que vi a Internet nascer, mas eu estava lá quando ela se popularizou no Brasil. Meus primeiros acessos, realizados no prompt de comando de um sistema UNIX, se deram em 1997 no laboratório de informática da UFF. Detesto celulares (aquela coisa na qual você pode arruinar sua vida encostando um dedo no lugar errado) e nunca tive dinheiro para desperdiçar em laptops, mas uso PCs desde 1993 e finalmente aprendi a montá-los em 2010. E é claro que no começo do século eu tive redes sociais (orkut, alguém?) e conversei no MSN e em salas de bate-papo; mas hoje essas coisas pertencem, juntamente com as fitas VHS, a um passado distante.

Não sei até que ponto as pessoas sabem disso nos dias de hoje, mas quando a Web foi inventada a palavra-chave era hipertexto. Ao produzir links umas para as outras, as páginas se entrelaçavam e criavam uma teia (web) que podia ser trilhada em qualquer direção por qualquer navegador. Nem todas as pessoas podiam ou queriam rodar seu próprio servidor, mas isso nunca foi um problema; o ponto era que todos, ao menos em tese, podiam produzir sua própria página pessoal e contratar um servidor para hospedá-la. Rapidamente surgiram serviços que hospedavam páginas “de graça” em troca da exibição de anúncios. Quem quiser ter uma idéia do que era a web nessa época (e de como o mau gosto predominava na maioria das páginas) pode dar uma olhada nesta galeria do Geocities.

Para resumir num piscar de olhos uma longa história, esse modelo aberto e descentralizado da web foi quase que completamente substituído pelo modelo altamente centralizado das redes sociais. Quem antes hospedava sua página no servidor de sua preferência tem agora uma “conta” numa plataforma gigante sobre a qual não tem controle algum; quem antes compartilhava apenas o que queria, e nada mais, tem agora suas informações pessoais ordenhadas por algoritmos cada vez mais sofisticados. É bem verdade que a interação com outras pessoas foi simplificada ao máximo, mas esse benefício foi obtido às custas de várias renúncias.

Não é apenas para preservar minha privacidade que eu não uso redes sociais; essa nem mesmo é a razão principal. Eu poderia, se quisesse, escrever uma postagem duas vezes maior do que esta apenas falando sobre todas as razões pelas quais não uso redes sociais, mas prefiro resumir tudo num único ponto: eu não as uso para poder usufruir do silêncio que essa decisão me proporciona. Quem não ama (ou ao menos suporta) o silêncio está condenado a viver em meio ao ruído.

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Arte Documentos Pintura

Correa Camargo

A artista plástica Rosa Maria Correa Camargo, conhecida entre seus amigos como Chou, era paulistana, mas radicada em Niterói. Fui seu vizinho quando morei na Lara Vilela e cheguei a produzir para ela uma página na Internet. Acabamos perdendo contato e eu só soube de sua morte muito tempo depois. Hoje guardo como um tesouro o belo livro de fotografias que ela me deu de presente; há nele um incrível retrato de Sibelius que pretendo postar aqui um dia.

Como há pouquíssima informação sobre essa artista na Rede, resolvi digitalizar um velho catálogo de uma exposição sua. Correa Camargo assinava-se desse modo porque, segundo ela, o mercado de arte tende a desvalorizar o trabalho das mulheres.

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Exposições Fotografia Pintura

Juntando os polegares

Klee
Büste eines Kindes
Busto de uma criança
Bust of a Child
1933, 380
Aquarela sobre algodão sobre compensado; moldura original.
Watercolor on cotton on plywood; original frame.
Zentrum Paul Klee, Berna [Bern].
Fotografado em 2019-07-27 (Sony DSC-HX200V).

Eu sempre tiro fotos em exposições, mas elas raramente ficam boas. E nem poderiam, pois não é assim que se faz: arte não se fotografa de improviso, com a câmera na mão e em meio a um monte de gente. Por mais que queiramos fazer justiça à obra do artista, tudo o que conseguimos é deformar o aspecto do quadro e alterar suas cores.

Coisa bem diferente é sair por aí em busca de um bom motivo para tentar fazer uma boa foto. Era mais difícil, e muito mais caro, na época em que meu pai me ensinou a juntar os polegares para criar um enquadramento; mas hoje está ao alcance de qualquer um que tenha um celular no bolso.

Algumas das fotografias que coloquei na página imagens revelam pedaços da minha vida e têm, para mim, uma forte carga afetiva; outras são apenas divertidas; outras, por fim, são tentativas de registrar um pouco da beleza que há no mundo. Na maioria delas, nenhuma pintura foi maltratada.

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Arte Literatura Música

20 de dezembro de 1975

rick-wakeman-1975
Revista Pop (1975). Crédito pela imagem: Pedro Hollanda.

Foi publicada hoje, na revista portuguesa Athena, a crônica 20 de dezembro de 1975. Dedicada à minha madrinha (que nesse dia me levou ao show de Rick Wakeman), ela encerra uma trilogia recente consagrada às três pessoas que me educaram.

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Filosofia Sociologia Traduções

ERRATA: As Leis Sociais

Gabriel Tarde - As Leis Sociais [2012]

Pretendo revisar em breve minha tradução do livro As Leis Sociais, de Gabriel Tarde. Esta página será atualizada até que sejam listados todos os erros encontrados na primeira edição, lançada em 2012 pela Editora da UFF.

A segunda edição do livro será publicada por minha própria conta, mas Editoras eventualmente interessadas poderão entrar em contato deixando um Comentário nesta página.

Os últimos exemplares da 1ª edição que ainda estão comigo serão vendidos na Livraria do ponto cinza (em breve).

Já possui uma cópia deste livro? Clique aqui para baixar um marcador de páginas com o endereço desta Errata. (PDF)

ERRATA

página 20, linha 15
onde se lê: “Repetição significa repetição conservadora”…
leia-se: “Repetição significa produção conservadora”…


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Filosofia Traduções

Aulas de Deleuze

Nesta página irei reunir minhas traduções de três aulas de Gilles Deleuze sobre Spinoza. Duas delas foram publicadas em 2006 por Richard Pinhas no site francês dedicado ao filósofo; a terceira foi realizada em 2009 e permanece inédita.

Esse material está sendo revisado. Posteriormente publicarei nesta página as versões revisadas dessas três aulas. Por ora, o que tenho a oferecer são os atalhos para as duas aulas publicadas em 2006.

Sur Spinoza | Cours Vincennes | Cours du 24/01/1978

Sur Spinoza | Cours Vincennes – St Denis | Cours du 25/11/1980

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Dissertação Filosofia

A noção de virtualidade em Bergson (1996)

Hoje tirei o dia para espanar o pó da dissertação de mestrado que defendi na UFRJ em dezembro de 1996. Espero conseguir terminar sua revisão a tempo de publicá-la ainda em 2026, quando ela completará 30 anos.

Não está nos meu planos, entretanto, reescrever meu trabalho, seja na forma, seja no conteúdo. Assim, talvez seja impossível mudar aquilo que mais me incomoda no texto original: o uso da primeira pessoa do plural, escolha natural de alguém que não se sentia à vontade para proferir a palavra “eu” num texto filosófico. Para complicar, eu também usava (e ainda uso) a primeira pessoa do plural para incluir ou aproximar o leitor, procedimento que, como sabemos, nem sempre funciona. O fato é que minha preguiça é maior do que minha vaidade, e isso me indispõe contra o esforço de eliminar de um texto de 30 anos atrás aquilo que hoje vejo como defeito. Será melhor deixar tudo como está e aproveitar o prefácio do livro para protocolar minha insatisfação.

A versão original do arquivo foi postada na plataforma academia.edu, mas também pode ser baixada aqui mesmo:

A noção de virtualidade em Bergson (UFRJ-1996)

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Artigos Filosofia

O lance de dados (1999)

(e a superação do niilismo)

Publicado em maio de 1999 na revista Cadernos de Filosofia Contemporânea nº 1 (ISSN 1516-5434), O lance de dados está entre os textos que pretendo revisar num futuro próximo.

A versão original do arquivo foi postada na plataforma academia.edu, mas também pode ser baixada aqui mesmo:

O lance de dados e a superação do niilismo (UFRJ-1999)