
Não tenho Facebook. Cheguei a usar o Instagram na época em que ele servia para postar fotos e acompanhar as postagens de algumas pessoas, mas ele se tornou um shopping e eu não voltarei a usá-lo. Abri uma conta no antigo Twitter em 2011, mas não a uso para nada. Em breve deixarei de usar até o WhatsApp, que estou substituindo pelo Signal. Outras redes? Nem pensar. A rigor, nem mesmo telefone eu uso, e só tenho um número porque sou forçado a isso; mas o modo avião é meu amigo.
Como explicar esse aparente isolamento? Digo aparente porque tenho um canal no YouTube cujo tamanho diminuto ainda me permite responder todas as mensagens que recebo; participo de alguns fóruns que tratam de temas que me interessam; e como qualquer mortal com acesso à Rede, uso o email para comunicar-me. Aliás, quem visita este site pode mandar-me um email a qualquer hora.
Não há, portanto, isolamento algum. Não posso dizer que vi a Internet nascer, mas eu estava lá quando ela se popularizou no Brasil. Meus primeiros acessos, realizados no prompt de comando de um sistema UNIX, se deram em 1997 no laboratório de informática da UFF. Detesto celulares (aquela coisa na qual você pode arruinar sua vida encostando um dedo no lugar errado) e nunca tive dinheiro para desperdiçar em laptops, mas uso PCs desde 1993 e finalmente aprendi a montá-los em 2010. E é claro que no começo do século eu tive redes sociais (orkut, alguém?) e conversei no MSN e em salas de bate-papo; mas hoje essas coisas pertencem, juntamente com as fitas VHS, a um passado distante.
Não sei até que ponto as pessoas sabem disso nos dias de hoje, mas quando a Web foi inventada a palavra-chave era hipertexto. Ao produzir links umas para as outras, as páginas se entrelaçavam e criavam uma teia (web) que podia ser trilhada em qualquer direção por qualquer navegador. Nem todas as pessoas podiam ou queriam rodar seu próprio servidor, mas isso nunca foi um problema; o ponto era que todos, ao menos em tese, podiam produzir sua própria página pessoal e contratar um servidor para hospedá-la. Rapidamente surgiram serviços que hospedavam páginas “de graça” em troca da exibição de anúncios. Quem quiser ter uma idéia do que era a web nessa época (e de como o mau gosto predominava na maioria das páginas) pode dar uma olhada nesta galeria do Geocities.
Para resumir num piscar de olhos uma longa história, esse modelo aberto e descentralizado da web foi quase que completamente substituído pelo modelo altamente centralizado das redes sociais. Quem antes hospedava sua página no servidor de sua preferência tem agora uma “conta” numa plataforma gigante sobre a qual não tem controle algum; quem antes compartilhava apenas o que queria, e nada mais, tem agora suas informações pessoais ordenhadas por algoritmos cada vez mais sofisticados. É bem verdade que a interação com outras pessoas foi simplificada ao máximo, mas esse benefício foi obtido às custas de várias renúncias.
Não é apenas para preservar minha privacidade que eu não uso redes sociais; essa nem mesmo é a razão principal. Eu poderia, se quisesse, escrever uma postagem duas vezes maior do que esta apenas falando sobre todas as razões pelas quais não uso redes sociais, mas prefiro resumir tudo num único ponto: eu não as uso para poder usufruir do silêncio que essa decisão me proporciona. Quem não ama (ou ao menos suporta) o silêncio está condenado a viver em meio ao ruído.
