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Informática Linux

Rodando o Linux Mint 22.3

Assistir a canais abertos de televisão é coisa do passado, mas eu tenho uma TV. Ter acesso a um aparelho de TV, e também a um aparelho de rádio tradicional, pode ser bem útil em momentos de crise. Vale ressaltar que não estou me referindo a crises existenciais, mas a crises externas, como furacões, enchentes e invasões alienígenas.

O fabricante diz que minha TV é inteligente, mas não tenho como confirmar essa informação, pois há anos temos usado nossas televisões como monitores de um PC.

Foi nesse PC que instalei o Linux Mint 22.2 (Edição Cinnamon), e isso me autoriza a afirmar que só não usa Linux quem não quer. O Menu Iniciar da atualização mais recente (versão 22.3) ficou ainda melhor, e o sistema é tão bom e tão fácil de administrar que já decidi usá-lo em meu próprio PC, atualmente rodando Debian 12 em dual boot com Windows 10.

No futuro irei criar uma página dedicada ao Linux e aos programas que estou garimpando e usando nesse sistema operacional.

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Escândalos Imprensa Linguagem

Erro atrás de erro

erro atrás de erro
O Globo, 27 de janeiro de 2026

O corpo da notícia está bem escrito, e isso indica que os três erros acima não foram cometidos pelo jornalista, cujo nome omiti, mas (provavelmente) pelo estagiário a quem coube escrever o título e a linha fina (subtítulo).

O primeiro deles está no próprio título. Bastidor, entre outras coisas, é um caixilho de madeira usado para prender o tecido que será bordado ou pintado. A palavra teria de ser bastidores; o plural, nesse caso, não é opcional.

O segundo erro, ainda mais primário, consiste no uso da crase (e, portanto, do artigo feminino) antes de palavra masculina. Bastava a preposição: veio a público.

Por fim, em vez de “apoia o colega seguir atuando”, deveria estar escrito “apoia o colega a seguir atuando”. Lá sobrou um artigo, aqui faltou a preposição.

Eu poderia, se quisesse, obter uma renda extra apenas apontando, num canal do YouTube, os erros de Português cometidos na grande imprensa; e olhem que eu nem mesmo sou um especialista no assunto. Não pretendo voltar a escrever sobre isso, mas faço questão de deixar registrada aqui minha indignação: sendo os jornais em questão veículos de comunicação de grande alcance, é um escândalo que eles ensinem seus leitores a desaprender o Português.

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Direito Documentos História Informática Internet Jornalismo Política Redes sociais

Sessões sobre o Marco Civil da Internet

Apresento a seguir uma lista com as principais fontes primárias relativas aos debates promovidos pelo STF em torno do tema do Marco Civil da Internet, que é da maior importância para os rumos da democracia no Brasil. Resolvi organizar e datar o material para reunir os atalhos dispersos no canal oficial do STF no YouTube, facilitando, assim, o trabalho dos pesquisadores.

Foram deixadas de fora algumas contribuições individuais ao debate, geralmente muito antigas, mas foram incluídas as audiências públicas (realizadas em 2017 e em 2023) e todas as sessões ordinárias e extraordinárias (realizadas em 2024 e 2025). A lista foi checada várias vezes, mas caso você perceba que deixei de incluir nela alguma audiência ou sessão importante, por favor avise-me nos comentários.

NOTA: Diferentemente do que consta no YouTube, as sessões realizadas nos dias 2024.11.28, 2024.12.05, 2025.06.05 e 2025.06.26 foram sessões extraordinárias, tendo sido renomeadas nesta lista de modo a refletir esse pormenor.

AUDIÊNCIAS PÚBLICAS (2017)

Bloqueio judicial do WhatsApp e Marco Civil da Internet

Parte 1 de 4 (2017.06.02)
https://www.youtube.com/watch?v=3TNsQCNIOO0


Parte 2 de 4 (2017.06.02)
https://www.youtube.com/watch?v=qN9w_BuKfCA

Parte 3 de 4 (2017.06.05)
https://www.youtube.com/watch?v=Bvq4JSr6uCo

Parte 4 de 4 (2017.06.05)
https://www.youtube.com/watch?v=t1WJLIa5nV8

AUDIÊNCIAS PÚBLICAS (2023)

2023.03.28
Audiência pública – Marco Civil da Internet (manhã)

https://www.youtube.com/watch?v=AwTODpWW-3E

2023.03.28
Audiência pública – Marco Civil da Internet (tarde)

https://www.youtube.com/watch?v=q-yd8DrGfXk

2023.03.29
Audiência pública – Marco Civil da Internet

https://www.youtube.com/watch?v=pEFJYIqflGs

SESSÕES ORDINÁRIAS E EXTRAORDINÁRIAS
(2024-2025)

2024.11.27
Sessão Plenária – Regras do Marco Civil da Internet

https://www.youtube.com/watch?v=uVP_HPv7nkI


2024.11.28
Sessão Extraordinária – Marco Civil da internet

https://www.youtube.com/watch?v=5mSA0nfIo7Y


2024.12.04
Sessão Plenária – Marco Civil da Internet

https://www.youtube.com/watch?v=qsFJXB2iA-g

2024.12.05
Sessão Extraordinária – Marco Civil da Internet

https://www.youtube.com/watch?v=OAccmmamtE0


2024.12.11
Sessão Plenária – Regras do Marco Civil da internet

https://www.youtube.com/watch?v=s107QFoZiPU


2024.12.18
Sessão Plenária – Marco Civil da Internet

https://www.youtube.com/watch?v=c45zWtiRAtQ


2025.06.04
Sessão Plenária – Recursos sobre normas do Marco Civil da Internet

https://www.youtube.com/watch?v=LggtwwneH38


2025.06.05
Sessão Extraordinária – Recursos sobre normas do Marco Civil da Internet

https://www.youtube.com/watch?v=LAB5XvMkbMA


2025.06.11
Sessão Plenária – Recursos sobre normas do Marco Civil da Internet

https://www.youtube.com/watch?v=DvLQBxGqz-M

2025.06.11
Sessão Extraordinária – Recursos sobre normas do Marco Civil da Internet

https://www.youtube.com/watch?v=9qKO0tk9Tmo


2025.06.12
Sessão Extraordinária – Recursos sobre normas do Marco Civil da Internet

https://www.youtube.com/watch?v=qAsE.wXCRms

https://www.youtube.com/watch?v=fBVLZ4Po1pU

2025.06.25
Sessão Plenária – Celular esquecido em cena do crime pode ser usado como prova

https://www.youtube.com/watch?v=SsXznYFLzUk


2025.06.26
Sessão Extraordinária – Marco Civil da Internet

https://www.youtube.com/watch?v=ZB0rDhFBju0

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Criação Inteligência artificial Linguagem

Autoria e Inteligência Artificial

Entre as confusões geradas pela popularização dos LLMs (Large Language Models) está aquela envolvendo o conceito de autoria. Há quem tema, por exemplo, pela consumação efetiva da tão anunciada “morte do autor”.

Na base desse temor está a suposição de que a Inteligência Artificial (IA) seja capaz de criar, ou seja, de gerar algo de original. Mas essa suposição é equivocada e a IA não pode ser definida como autora de coisa alguma. Seus textos são colagens ou pastiches, recombinação de padrões linguísticos previamente existentes a partir de cálculos probabilísticos.

O truque, aqui, é compreender que, ainda que a IA não seja capaz de criar, nem por isso a autoria daquilo que a IA produz desapareceu: ela apenas tornou-se infinitamente difícil de ser rastreada.

Mas isso não é nenhuma novidade. Quantas palavras ou receitas culinárias podem realmente ser atribuídas aos seus legítimos autores, e quantas são usadas até hoje sem que tenhamos a menor idéia de quem foram seus inventores?

Ao menos num certo sentido, o cenário que está a ser inaugurado pela IA é altamente favorável ao autêntico criador. Agora que a mediocridade plagiadora está ao alcance de todos, a criação, única atividade realmente redentora, tende a sobressair.

Para concluir esta postagem de forma irônica, apresentarei a seguir dois sonetos produzidos pelo ChatGPT a partir de nossa conversa sobre esse tema. Seus títulos, no entanto, foram escritos por mim, e também um único verso. Não é um bom verso, mas… é meu. Você seria capaz de apontá-lo?

void

Sem eu, robô

Não cria do nada, mas rearranja
O vasto arquivo humano em linguagem;
Sem musa, engenho ou íntima mensagem,
Tecidos velhos numa forma estranha.

Não sabe o peso ético que acompanha
A frase exata, a falha, a ambiguidade;
Calcula o passo, ignora a gravidade
Do que diz, do que oculta, do que ganha.

É pastiche sem riso, é voz sem dono,
Remix sem gesto, estilo sem história,
Um texto que nasceu sem testemunho.

E ainda assim produz, na transitória
Leitura humana, um sentido autônomo:
Não há autor — mas há memória.

void

A origem da informação

Não prova o cálculo, ao bem escrever,
Que o gênio seja um mito consumado;
Mostra apenas que o texto articulado
Dispensa a chama íntima do ser.

Mas pode haver criação que faz nascer
O novo onde o arquivo é ultrapassado,
Um gesto inaugural, não derivado,
Que o sistema não pode prever.

Há texto sem sujeito, eis a lição;
Mas não se infere, daí, por simetria,
Que toda origem seja ilusão.

O gênio, então, não morre: se retira
Para o lugar do que escapa à razão,
alerta e ligeiro como o Curupira.

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Distopia História Totalitarismo

Pode o silêncio ensinar alguma coisa?

Pensando bem, não é espantoso que um regime totalitário use força militar para executar milhares de civis que estão a protestar nas ruas. Afinal, é exatamente isso que se espera de um regime totalitário: que ele exerça um controle absoluto sobre todos os aspectos da vida de seus súditos e estabeleça sua própria soberania como o valor supremo.

O que espanta é o silêncio daqueles que nunca tiveram problemas para se manifestar a favor de suas causas. Ao contrário do que defendem alguns, não há, em casos como esse, hipocrisia. Não existe indignação seletiva. Não existe “duplo padrão”.

Se os chamados “ativistas” não se comovem com a execução sumária de milhares de manifestantes iranianos, é porque eles jamais se comoveram verdadeiramente com o destino de alguém. Não é esse o problema deles. E não sou eu quem está a dizer isso: são as próprias atitudes (ou a falta de atitude) deles perante os massacres. Eles protestarão naqueles casos que forem favoráveis ao seu projeto de poder, mas permanecerão indiferentes a todo o resto.

Não existe, repito, “duplo padrão”. Ao contrário, tudo o que eles fazem deriva de um único pensamento dominante: fazer o que for necessário para fazer avançar seu projeto de poder.

Diante de tão eloquente indiferença, só me resta coçar a cabeça e perguntar: o que aconteceria se eles finalmente alcançassem seu objetivo? O que fariam quando conseguissem consolidar seu poder? Seria algo substancialmente diferente daquilo que já ocorreu tantas vezes na história recente?

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Corrupção Falácias Imprensa Jornalismo Sobre

De olho na porqueira

Já expliquei que tenho por regra manter-me longe da pequena política. Como quase toda regra, também essa tem suas exceções, e vez por outra sinto um impulso irresistível de fazer uma inspeção de surpresa numa pocilga qualquer.

Isso geralmente acontece quando percebo que a imprensa local não esmiuçou suficientemente um caso que está bem documentado em fontes estrangeiras. O recente escândalo envolvendo a BBC é o exemplo mais recente desse tipo de trabalho.

Outro campo que desperta meu interesse é o da corrupção institucional. Ao contrário da corrupção política, conhecida de todos porque valentemente denunciada por jornalistas que honram sua profissão, a corrupção institucional é mais dissimulada e tende a ser discutida apenas em círculos restritos. Embora seja pervasiva e altamente deletéria, ela raramente é notada e noticiada para um público mais amplo.

A distinção é importante. A corrupção em instituições públicas e privadas é praticada por agentes individuais claramente identificáveis, e caracterizada pela circulação de dinheiro e/ou favores entre eles. Corrupção institucional é outra coisa. Um exemplo muito conhecido e bem documentado é o da indústria de tabaco, que teve êxito em estabelecer um consenso científico em torno da dificuldade de estabelecer inequivocamente que o hábito de fumar faz mal à saúde. Essa incerteza era suficiente para atrasar a regulação do tabaco e manter o lucro em patamares elevados. É essencial compreender que nesse cenário, ao contrário do que acontece na corrupção “comum”, apenas alguns atores eram fundamentalmente corruptos e tinham plena consciência do que estava acontecendo. Muitos cientistas apenas cumpriam regras formais e seguiam protocolos reconhecidos, agindo de boa fé e sem perceber que o consenso científico gerado naquele ambiente institucional corrupto era, ele mesmo, corrupto.

Não tenho tempo (nem vontade), no entanto, para trabalhar nos problemas complexos envolvidos na corrupção institucional, como, por exemplo, a captura de agências reguladoras; também não tenho competência em matemática e estatística para analisar comme il faut eventuais fraudes praticadas na elaboração ou na apresentação de resultados de pesquisas científicas.¹ Em compensação, sou capaz de detectar artimanhas e falácias usadas pelas corporações para convencer o público de que tudo é feito no seu melhor interesse. É coisa simples que não me tomará demasiado tempo, mas que poderá abrir os olhos de muita gente.

Em breve irei inspecionar as insistentes propagandas (disfarçadas de notícia) das canetas emagrecedoras.

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1. Fraudes científicas são exemplos da prática de corrupção “comum” em ambientes que podem estar também afetados pela corrupção institucional.

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Artigos Corrupção História Imprensa Jornalismo

A BBC errou?

Transformei em artigo uma série de postagens sobre o recente escândalo da BBC, e o resultado foi publicado na edição de dezembro (nº 34) da Revista Athena. A versão em PDF do texto poderá ser consultada logo abaixo.

Leitores curiosos poderão divertir-se examinando as diferenças entre o artigo e as postagens originais. Uma delas, entretanto, ficou inteiramente de fora do artigo. Ela poderá ser consultada aqui.