Existem programas que não possuem equivalentes no Linux; por exemplo, há excelentes versões antigas de dicionários eletrônicos profissionais que só rodam no Windows. Existem duas possibilidades de rodar esses programas dentro do Linux: diretamente, por meio de um emulador do Windows como o Wine; e por meio de uma máquina virtual.
Máquinas virtuais, entretanto, exigem um computador mais forte para serem usadas com conforto. O hardware não precisa ser recente; precisa apenas oferecer recursos suficientes. O ideal é que se possa dedicar à máquina virtual uma generosa quantidade de memória e ao menos dois processadores. Assim, se a emulação não funcionar, mas o hardware for bom o bastante, o caminho mais óbvio para montar uma máquina de tradução com dicionários profissionais Windows dentro do Linux seria instalando uma máquina virtual.
Mas há muitos jogos e muitos programas profissionais complexos que (ao menos por enquanto) não rodam no Linux de jeito nenhum e (ao contrário dos dicionários) são pesados demais para serem executados numa máquina virtual. Programas como esses, que não têm versões para Linux ou concorrentes à altura que rodem no Linux, acabam forçando determinados usuários a manter uma cópia do Windows em funcionamento. Qual seria a melhor maneira de rodar os dois sistemas ao mesmo tempo, beneficiando-se das vantagens que cada um deles oferece?
Tudo depende, evidentemente, dos recursos que se tem para investir em equipamento. Quem tem dinheiro sobrando simplesmente monta duas máquinas fortes e modernas, uma com o Windows e outra com o Linux. Isso, no entanto, está longe de ser necessário. Quem já possui dois computadores pode, por exemplo, instalar o Linux que será usado para navegação diária naquele PC bacana de 2014 que estava encostado e usar a máquina mais moderna para rodar jogos e programas profissionais pesados. Note que o PC Linux nem mesmo irá requerer uma placa de vídeo dedicada, ou poderá usar uma placa antiga e bem menos potente.
Quem não possui dois computadores (e tampouco tem recursos para comprar um PC novo) pode resolver o problema apenas comprando um SSD. Foi o que eu fiz. Ao ser instalado num novo SSD, o Debian 12 detectou automaticamente a instalação prévia do Windows no SSD antigo. Assim, a cada boot, posso escolher (por meio do menu do GRUB) qual dos dois sistemas quero rodar naquele momento e qual deles será definido como o sistema padrão. Eu diria que esse é o dual boot ideal, pois cada sistema operacional está instalado em seu próprio disco. No entanto, para que essa mágica aconteça, é importante instalar o Windows primeiro e o Linux depois.
Não é que seja impossível instalar os dois sistemas num único disco, mas existem SSDs com preços mais em conta e esse é o tipo de economia que eu não recomendo.
Hoje, dia 14 de outubro de 2025, encerra-se oficialmente o suporte para o usuário doméstico do Windows 10 (Home e Pro). Nesta postagem expliquei que existe uma maneira de estender o suporte por mais um ano. Porém um ano passa rápido; o que fazer depois disso? Quais são as alternativas? Afinal, por que aprender a usar o Linux é tão importante assim? É verdade que existe uma determinada versão do Windows 10 que receberá atualizações de segurança até 2031? Veremos tudo isso na próxima postagem.
